prologo

PROLOGO

Um ano antes

A faixa amarela isolando a cena de crime circulava o jardim e a entrada da bela casa, naquela manhã quente de agosto. O local estava repleto de curiosos e os policiais tinham dificuldade em mantê-los afastados. O tenente da Central de Homicídios da cidade de São Francisco, Matt Dowling mostrou o distintivo e o policial levantou a fita para que passasse.

Entrou torcendo que as evidências fossem conservadas mesmo com a movimentação de tantos policiais. Encontrou o parceiro Dennis Blake anotando as primeiras informações que recebia dos peritos.

─ O que temos? ─ perguntou oferecendo a batata frita que estava comendo.

─ Problemas. ─ Dennis respondeu recusando a oferta.

Com um suspiro desanimado Matt amassou o saco do petisco e o colocou no bolso enquanto seguia o parceiro para dentro da casa. Blake logo esclareceu:

─ Duas vítimas. Helena Robson, 21 anos, solteira. Modelo.

─ Modelo? ─ Matt Franziu a testa. ─ Modelo? ─ Repetiu preocupado.

Blake acenou com a cabeça respondendo à pergunta muda do parceiro.

─ Que merda! ─ Matt blasfemou indignado.

─ Helena era a dona da casa. Morava sozinha. Foi morta no quarto. A segunda vítima foi identificada como Daril Osbourne, 38 anos, trabalhava com análise de sistemas. Informaram o desaparecimento dele hoje de manhã. Foi morto na banheira.

─ Alguma chance de ser apenas coincidência?

─ Nenhuma. ─ Dennis abriu a porta do quarto. ─ Está igual.

─ Igual? Tem certeza?

─ Sim. Foi o mesmo cara.

O local falaria por si.

Havia sangue por todo o quarto. A jovem estava com os pulsos e tornozelos amarrados aos cantos da cama, com tiras de couro. Alguns pedaços de tecido recobriam o corpo, no que antes deveria ter sido uma bela camisola negra de cetim com cauda longa de bordados prateados. A posição das pernas não deixava dúvida de que houvera violência sexual. O ventre estava aberto. Os órgãos reprodutores haviam sido retirados e jaziam ao lado dela na cama.

─ Meu Deus! ─ Matt não pode deixar de murmurar chocado.

A perícia fazia seu trabalho fotografando tudo e coletando o que pudesse de alguma forma levar ao assassino.

─ O corpo de Helena apresenta sinais de tortura e no primeiro momento os peritos acreditam que ela foi mantida imóvel na cama por pelo menos dois dias. Vamos ver o relatório da autopsia.

Dennis continuou caminhando com cuidado até o banheiro onde outra equipe trabalhava junto ao corpo do homem. A garganta estava cortada, o peito aberto e os genitais haviam sido extraídos.

─ Procurem nos canos do sanitário. Foi lá que o infeliz jogou os da vítima da semana passada. ─ Matt murmurou vendo a perícia procurar pelos órgãos decepados. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião e valiosa!! Comente!!